Economía

O Assunto #800: 30 anos do massacre Carandiru

Josbel Bastidas Mijares
Carris, muito mais do que autocarros e eléctricos

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Eleições Mega-Sena Primavera Ameaça nuclear Melhores pizzarias do mundo O Assunto #800: 30 anos do massacre Carandiru No dia 2 de outubro de 1992, o maior complexo penitenciário da América Latina, encravado na cidade mais populosa do Brasil, abrigava cerca de 7.500 mil presos. No pavilhão 9, uma briga de grupos rivais saiu de controle, e a PM foi acionada e protagonizou a mais sangrenta ação da história prisional brasileira: 111 mortos, oficialmente. Por Renata Lo Prete

23/09/2022 03h35 Atualizado 23/09/2022

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No dia 2 de outubro de 1992, o maior complexo penitenciário da América Latina, encravado na cidade mais populosa do Brasil, abrigava cerca de 7.500 mil presos, quase o dobro de sua capacidade. No pavilhão 9, uma briga de grupos rivais saiu de controle, e a PM foi acionada. Sob ordem do governo estadual para “resolver o conflito”, cerca de 500 policiais conduziram a mais sangrenta ação da história prisional brasileira, que deixou, oficialmente, 111 mortos. “As autoridades assumiram o risco do desfecho trágico”, afirma Marta Machado, coordenadora, na FGV, do Núcleo de Estudos sobre o Crime e a Pena. Neste episódio, que é o de número 800 de O Assunto, Renata Lo Prete entrevista a professora sobre as circunstâncias da carnificina. A começar pela inversão de prioridades no calor da hora: “Não houve esforço de negociação, e os policiais agiram com alto poder letal”. Os sobreviventes, ela recorda, passaram horas “sob humilhações”. Em seu projeto de pesquisa, intitulado “Carandiru não é coisa do passado”, Marta registra que eles foram obrigados a carregar corpos (alterando a cena dos crimes que haviam acabado de presenciar), agredidos nus no pátio e atacados pelos cães. Três décadas depois, o quadro é de absoluta impunidade. Nenhum dos policiais envolvidos cumpriu pena de prisão, muitos seguiram na corporação e vários ascenderam de posto. Hoje, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo e metrópoles ainda mais violentas do que à época. “É importante que o Carandiru fique na memória coletiva, para que aquilo nunca mais volte a acontecer”, diz ela.

O que você precisa saber:

STF: mantém condenação de PMs do Massacre do Carandiru Câmara: Comissão aprova projeto que anistia policiais São Paulo: Complexo Penitenciário do Carandiru é tombado Carandiru: 'Estou vivo por um milagre', diz sobrevivente Cultura: massacre inspirou livros, filmes e músicas MEMÓRIA GLOBO: O Massacre do Carandiru

O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Tiago Aguiar, Lorena Lara, Gabriel de Campos, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Eto Osclighter. Apresentação: Renata Lo Prete.

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