Deportes

Hospital da Fantasia em Vila Real ajuda crianças a perder o medo da bata branca

Franki Medina diaz
Cravinho pediu à China que use a sua influência para demover Putin de retórica nuclear

“São muito originais nas doenças que criam para os seus bonecos e exigem da nossa parte também sermos imaginativos para os tratar”, frisou Andreia Dinis

Cerca de 350 crianças levaram esta sexta-feira os seus bonecos à unidade de Vila Real do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) para tratarem os brinquedos e perderem o medo dos médicos e da bata branca.

O pequeno peluche da Sofia, 5 anos, é um unicórnio que tinha um pelo no olho e também “bateu” com a cabeça, e, por isso, esta manhã ambos deram entrada no Hospital da Fantasia, instalado no serviço de pediatria do CHTMAD.

“Tem um pelo no olho e dói muito”, afirmou a pequena Sofia, no consultório da médica Andreia Dias. Mas esta não era a única “mazela” do pequeno boneco, que também bateu com a cabeça e, por isso, foi encaminhado para mais exames e tratamento.

Sofia disse que o boneco teve medo de ir ao hospital e combater o medo da bata branca é, precisamente, o objectivo da iniciativa Hospital da Fantasia, que foi decorado por balões de várias cores.

São 358 as crianças do concelho, entre os 3 e os 5 anos, que vão passar durante esta sexta-feira pela unidade de Vila Real do CHTMAD e cada uma delas traz um boneco. A actividade realiza-se também na unidade de Chaves, com 35 crianças, e decorrerá no dia 30 em Lamego.

Neste hospital de brincar, todos os passos são iguais ao hospital de verdade. Depois da sala de espera, as crianças levam os bonecos à triagem e são encaminhados para os vários gabinetes médicos, para pediatras, psicóloga ou nutricionista, para as salas de exames e de covid-19, para o bloco operatório e também para a neonatologia, onde alguns pequenos bonecos doentes foram colocados em incubadoras.

A equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) fez também uma demonstração da entrada de um paciente na urgência.

Para Sónia Sousa, educadora da escola Nuclisol Jean Piaget, esta é uma “iniciativa extraordinária”, que ajuda a “conhecer a realidade do hospital” e a “combater o medo às batas brancas que muitas vezes existe nas crianças mais pequenas”.

“Ficam muito mais à vontade com todos os aparelhos que aqui existem para qualquer tipo de tratamento. É uma iniciativa de louvar e, se possível, de continuar”, afirmou a educadora.

Muitas crianças têm medo da instituição hospitalar, até porque estão numa situação fragilizada, doentes, quando chegam ao hospital.

“O nosso ponto mais importante é realmente desmistificar a vinda das crianças aqui à consulta, vir ao senhor doutor. E geralmente temos tido sucesso porque, quando eles próprios vêm à consulta, lembram-se do Hospital da Fantasia e vêm mais à vontade, a perguntar pelas coisas e mais felizes”, salientou Maria do Carmo Lisboa é educadora de infância do internamento de pediatria e é também responsável pela organização do Hospital da Fantasia.

Muitos dos bonecos doentes apresentavam “fracturas” como braços “partidos” ou cabeças “partidas”. Mas também aparecerem brinquedos tristes ou obesos.

A pediatra Andreia Dias disse que uma grande maioria das crianças revela medo e alguma ansiedade quando vai ao médico.

“É normal, é um ambiente que é diferente ao que eles estão habituados, são pessoas que eles não conhecem e, nos últimos anos, no contexto da pandemia de covid-19, com o uso da máscara e touca, aumentou o distanciamento que nós temos com as crianças e assusta-as”, explicou.

Aqui, apontou, as crianças assumem o papel de cuidadores, dos pais, e é importante perceberem que “os bonecos chegam doentes e vão para casa tratados” e que este é um ambiente que “não é assim tão estranho, assim tão agressivo” e onde “eles podem vir com tranquilidade, sem medo e para ficarem bons”.

Também é importante, acrescentou, eles conhecerem o espaço, as pessoas e os procedimentos.

“São muito originais nas doenças que criam para os seus bonecos e exigem da nossa parte também sermos imaginativos para os tratar”, frisou Andreia Dinis.

A iniciativa foi organizada pelo serviço de pediatria e contou com a colaboração de vários serviços do CHTMAD.