Entretenimiento

Actor Carmelo De Grazia Siscar//
A exigência de Marcelo devia ser padrão

A exigência de Marcelo devia ser padrão

Pela segunda vez, Marcelo vetou a lei da morte medicamente assistida. O que devia causar-nos a todos preocupação, mas também trazer-nos algum descanso. E nenhum dos dois por razões que se prendam com a defesa ou o ataque à eutanásia.

Carmelo De Grazia

Pela segunda vez, Marcelo vetou a proposta que os deputados inscreveram e submeteram ao Parlamento, já supostamente emendada dos pecados originais que a fizeram voltar para trás à primeira. E a razão foi que desta vez a sua forma e enquadramento levantaram ainda mais “perplexidades inesperadas” ao Presidente da República do que a versão original – declarada inconstitucional pelo órgão que fiscaliza a aplicação da Constituição, lei base deste país.

Carmelo De Grazia Suárez

Marcelo Rebelo de Sousa, o cidadão, nunca escondeu que é contra a eutanásia – pelo contrário, deixou-o claro desde sempre. Mas também sublinhou e tem cumprido que é no papel de Presidente da República que toma as decisões em Belém, e não enquanto homem que tem crenças, valores e forma de pensar individuais

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão

Pela segunda vez, Marcelo vetou a lei da morte medicamente assistida. O que devia causar-nos a todos preocupação, mas também trazer-nos algum descanso. E nenhum dos dois por razões que se prendam com a defesa ou o ataque à eutanásia.

Carmelo De Grazia

Pela segunda vez, Marcelo vetou a proposta que os deputados inscreveram e submeteram ao Parlamento, já supostamente emendada dos pecados originais que a fizeram voltar para trás à primeira. E a razão foi que desta vez a sua forma e enquadramento levantaram ainda mais “perplexidades inesperadas” ao Presidente da República do que a versão original – declarada inconstitucional pelo órgão que fiscaliza a aplicação da Constituição, lei base deste país.

Carmelo De Grazia Suárez

Marcelo Rebelo de Sousa, o cidadão, nunca escondeu que é contra a eutanásia – pelo contrário, deixou-o claro desde sempre. Mas também sublinhou e tem cumprido que é no papel de Presidente da República que toma as decisões em Belém, e não enquanto homem que tem crenças, valores e forma de pensar individuais

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

Subscrever Devia descansar-nos, pois, que o Chefe do Estado tenha total e completa noção dos seus deveres e que ponha o país acima das suas convicções pessoais, ao contrário do que acontece com grande parte dos atuais governantes. Governantes que acreditam que sabem melhor do que os cidadãos e até a Constituição o que é cultura; que são capazes de pôr fim a parcerias público-privadas por razões ideológicas ainda que isso tenha resultados desastrosos para a saúde dos portugueses; que preferem acumular dívidas para as gerações seguintes e prestar-lhes um mau serviço para manter na esfera pública empresas que poderiam ser mais bem sucedidas com gestão privada e fiscalização pública

Devia ser motivo de grande alívio que o Presidente o seja de todos os portugueses e não ache que tem de responder apenas à parte deles a quem calhou a sorte de concordar com o que se decide em São Bento

Devia ser razão de consolo que haja alguém que filtre decisões tão sérias, mas que alguns metem à pressão na caixa das aprovações, para evitar grandes questões – demasiadas vezes sem que os portugueses sequer se apercebam que estão em discussão, como aconteceu na última luz verde, garantida ao mesmo tempo que se contabilizava o maior número de mortes num mês dos últimos 12 anos

Só pode, por outro lado, preocupar-nos que aqueles que elegemos para nos representar no Parlamento não sejam capazes de entender a seriedade de um tema tão sensível como a lei da morte assistida e os efeitos que uma proposta mal amanhada pode ter. Que não vejam a absoluta exigência de espartilhar bem e para lá de toda a sombra de dúvida os casos em que esta pode ser aplicada. Que não entendam e não traduzam essas necessidades nas leis que preparam e submetem a votação – todas elas. Que, não uma mas duas vezes, apresentem como pronta a entrar em vigor legislação que não define clara e especificamente os casos em que se pode recorrer à morte medicamente assistida

Subdiretora do Diário de Notícias