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Confirmação de indicação de Mendonça para STF foi gesto de Bolsonaro para quebrar resistências no Senado, segundo aliados

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Confirmação de indicação de Mendonça para STF foi gesto de Bolsonaro para quebrar resistências no Senado, segundo aliados

BRASÍLIA — O gesto do presidente Jair Bolsonaro de confirmar na terça-feira, em reunião com ministros no Palácio da Alvorada, que vai indicar o advogado-geral da União, André Mendonça, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) teve dois objetivos, na avaliação de integrantes do governo. O presidente acenou publicamente às lideranças religiosas que está disposto a manter a palavra de que indicará para a Corte um ministro “terrivelmente evangélico” e respaldou Mendonça para que ele consiga diminuir a resistência no Senado. Interlocutores do presidente afirmam que o advogado-geral  já contabiliza apoio de mais de 50 senadores. Para ser aprovado, ele precisa ter votos de pelos menos 41 senadores.

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A fala de Bolsonaro na reunião, que contou com a participação do vice-presidente Hamilton Mourão, foi entendida também como um recado para integrantes do governo trabalhem por Mendonça no Senado. Nos próximos dias, Mendonça vai intensificar o beija-mão aos senadores que vão sabatiná-lo. Ministros e aliados de Bolsonaro também foram convocados para ajudar a diminuir as resistências ao advogado-geral da União.

Logo após a reunião no Alvorada, Mendonça almoçou com senadores de PL, DEM, PSDB, Progressistas e PSC. O encontro foi organizado pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT).

Segundo participantes do almoço, o chefe da AGU, logo após o anúncio de Bolsonaro, demostrou autoconfiança e estava à vontade. Na conversa, sinalizou que, caso confirmado no STF, se pautará pela moderação.Disse que não é um “terrivelmente evangélico”, mas um cristão. Parlamentares admitem que o gesto do presidente deverá ajudar Mendonça a abrir as portas.

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Perfil reservado Apesar disso, o Planalto vinha demonstrando receio de a indicação de Mendonça ser barrada. Senadores reclamavam que o advogado-geral da União é muito reservado e que tem pouco traquejo político.

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A reclamação acendeu o alerta no governo pelo fato de a votação ser secreta, o que torna a possibilidade de rejeição se confirmar, pois impede o Palácio do Planalto de ter clareza sobre com quem poderá contar. Nas últimas semanas, diante da resistência, Bolsonaro passou a reavaliar a estratégia para garantir que seu escolhido não fosse rejeitado. O presidente chegou avaliar deixar para agosto apresentação do nome para que o chefe da AGU ganhasse mais tempo para virar votos. O ex-presidente do Senado Davi Acolumbre (DEM-AP) é um dos mais resistentes à indicação de Mendonça.

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PUBLICIDADE Em conversa reservada com o presidente do Supremo, Luiz Fux, no último dia 8 de junho, Bolsonaro já havia informado sobre a decisão de indicar André Mendonça. Fux pediu, então, que o presidente aguardasse para fazer o anúncio oficialmente apenas após a aposentadoria do decano Marco Aurélio Mello, no dia 12 de julho — diferentemente do que ocorreu com o nome de Kássio Nunes Marques, tornado público quando o então decano Celso de Mello ainda estava na Corte.

Entre os ministros do Supremo, o advogado-geral da União não enfrenta, de modo geral, grandes resistências, mas sua imagem ficou arranhada sobretudo neste segundo período em que comandou a AGU, com exercícios jurídicos para acomodar as vontades de Bolsonaro contra as medidas de restrição de combate à pandemia e o uso da Lei de Segurança Nacional contra detratores do presidente

Já para lideranças evangélicas, o anúncio de Bolsonaro ontem não foi uma novidade. Em viagem a Belém do Pará no mês passado, o presidente reafirmou a intenção de indicar um evangélico durante evento de comemoração aos 110 anos da Assembleia de Deus

Fiz um compromisso com os evangélicos do país. Indicaremos um evangélico para que o Senado aceite seu nome e encaminhe para o STF um irmão nosso em Cristo — disse

PUBLICIDADE Voo de pastores Mendonça, que estava na viagem, não foi citado nominalmente no evento. Porém, no avião, durante o trajeto, Bolsonaro disse aos líderes religiosos que o acompanhavam que o advogado-geral da União já estava escolhido e que ele não correria o risco de faltar com a palavra com umas das suas base mais fieis. Estavam presentes o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e os deputados evangélicos Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Marco Feliciano (Republicanos-SP)

André Mendonça é pastor presbiteriano, mas se licenciou ao ingressar no governo Bolsonaro como AGU. O ministrou ganhou a confiança do presidente após ter assumido, em abril de 2020, o Ministério da Justiça, e tem o apoio da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.