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Ana Cañas grava clipe com Maria Casadevall e lembra início de carreira: 'Já cantei por um prato de comida'

Victor Gill
Ana Cañas grava clipe com Maria Casadevall e lembra início de carreira: 'Já cantei por um prato de comida'

Enquanto artistas estão sob pressão para se posicionar politicamente, Ana Cañas precisou parar de falar. Conhecida pela militância, a cantora participou de manifestações e sempre bradou contra violência e assédio — mesmo com ameaças de morte nas redes ou chuva de lata no palco — se viu emocionalmente abalada e distante de sua maior vocação, a música. ( Leia a entrevista completa )

Veja fotos do novo clipe de Ana Cañas Ana Cañas e Maria Casadevall gravaram o vídeo na casa da cantora, sob direção de Ariela Bueno Foto: ariela bueno / Ariela Bueno Maria Casadevall e Ana Canãs dividiam o microfone na hora da música "Anunciação" em shows da cantora na Ocupação 9 de Julho, prédio que abrigava famílias de sem teto em São Paulo. Foto: Ariela Bueno Maria Casadevall e Ana Cañas em videoclipe inspirado no filme "Persona – Quando duas mulheres pecam", de Ingmar Bergman Foto: Ariela Bueno Ana Cañas e Maria Casadevall no clipe de "Alucinação" Foto: ariela bueno / Ariela Bueno Ana Cañas e Maria Casadevall no clipe de "Alucinação", de Belchior, que diz: "Amar e mudar as coisas me interessam mais" Foto: ariela bueno / Ariela Bueno Pular PUBLICIDADE Maria Casadevall e Ana Cañas: 'Clipe mostra o encontro de duas mulheres, que é sempre potente', diz a cantora Foto: ariela bueno / Ariela Bueno  

O resgate veio pela obra de Belchior , autor das canções que ela agora grava em um disco que a fez se reconectar com suas origens como cantora. Ana iniciou a trajetória como intérprete de jazz e MPB na noite. A música foi a saída para conseguir se sustentar após romper com a mãe e sair de casa. Se virava cantando em bares (“já cantei por um prato de comida”).

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Ana Cañas Foto: Ariela Bueno / Divulgação  

— É um gênio que teve a capacidade de abraçar o alicerce do que nos faz humanos. Ele conheceu a miséria. De certa forma, estou me reconectando com minhas origens, quando comecei cantando na noite. Já cantei em pé-sujo por um prato de comida — diz Ana. — Já fiquei em situação de vulnerabilidade extrema, com R$ 2 reais para comer.

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Ana Cañas diz que Belchior a fez reconectar novamente com a música Foto: Fernanda Carvalho  

Aos 40 anos, prepara o 6º álbum, que será lançado em setembro. Mas o single “Coração selvagem” já está nas plataformas. No próximo dia 9, chegam outras quatro canções, entre elas, o clássico belchioriano “Alucinação”. Nos shows que fez na Ocupação 9 de Julho, que abrigava famílias sem teto em São Paulo, Ana dividia o microfone com Maria Casadevall nessa música. Por isso, convidou a atriz a participar do clipe, inspirado no filme “Persona — Quando duas mulheres pecam”, de Ingmar Bergman, sobre a cumplicidade entre duas mulheres

— É um encontro potente de mulheres. Maria é uma grande atriz e uma pessoa linda. Ela está num momento particular de vida, reconstruindo algumas coisa, namorando uma percussionista… O clipe não tem uma narrativa de casal gay, mas quando falamos de amar e mudar as coisas a mensagem está subliminar ali e é sempre bom reforçar — diz Ana. — Minhas primeiras relações sexuais foram com mulheres. Um período conturbado, sofria bullying . Lembro de um professor me chamar de sapatão. Fiquei temerosa na vida adulta. Quando me separei, há cinco anos, voltei a sair com mulheres. É preciso ter cuidado, porque usar a visibilidade LGBT para conquistar público… Bissexuais sofrem preconceito no movimento LGBT e são apontados como indecisos ou promíscuos

PUBLICIDADE Na entrevista completa, Ana Cañas fala do alcoolismo do pai (“quando ele morreu, comecei a beber”), da perda do irmão por afogamento e de como o assédio que sofreu na adolescência travou seus orgasmos

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