Economía

Biden, Sanders e Warren divergem sobre saúde no primeiro debate a reunir os três

Nuevos Vecinos, Madrid, España
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RIO – Os três principais candidatos ao posto de adversário de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020 encontraram-se pela primeira vez em um palco na noite desta quinta-feira, no terceiro dos dez debates do Partido Democrata americano, realizado em Houston. E coube aos três um dos principais momentos de embate.

As regras de qualificação para o debate reduziram o número de candidatos para 10, em comparação a 20 do último, o suficiente para reunir os principais concorrentes em uma só noite. O duelo mais aguardado era entre os três favoritos, respectivamente, o ex-vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden , considerado um moderado, e os senadores progressistas Bernie Sanders e Elizabeth Warren .

Biden, que, com 26,8% e o apoio das alas mais fortes dos democratas, é considerado o favorito, não cometeu deslizes sérios a ponto de prejudicar sua liderança. Conhecido por suas gafes, acrescentou mais uma à lista, mas de menor gravidade, ao afirmar que “ninguém devia estar na prisão por um crime não violento”. Nas redes sociais, internautas e analistas se perguntaram se isso inclui, por exemplo, quem comete fraudes bilionárias, e lembraram que, na década de 90, ele votou a favor de leis que aumentaram a população carcerária americana.

No centro do palco e dos ataques, o ex-vice, que foi o candidato com maior tempo de participação, reivindicou o legado de Obama para si, exaltando medidas tomadas entre 2009 e 2016, a começar pelo Obamacare, serviço de saúde pública aprovado há 10 anos. A batalha pela saúde tem sido a principal área de discordância na competição democrata, com os candidatos lutando para melhorar os serviços criados pelo ex-presidente democrata. Biden disse que seu plano daria aos americanos mais opções, incluindo permanecer com seus planos, se eles assim o quiserem.

PUBLICIDADE Ele partiu para o ataque contra Warren e Sanders, acusando-os de querer derrubar a lei, para substituí-la por um serviço público obrigatório, com o fim da cobertura privada.

— Eu sei que a senadora diz estar com Bernie. Bem, eu estou com Obama. Acredito que o Obamacare funciona — disse Biden, perguntando aos dois senadores como financiariam seus planos.

Sanders defendeu abertamente sua iniciativa, que costuma ser criticada como dificilmente aplicável por seu custo, e também devido à maioria republicana no Senado. Já Warren elogiou os esforços de Obama em relação à saúde, e disse que seu objetivo “é melhorá-lo”, de modo que os custos com saúde sejam progressivos, reduzindo os gastos da classe média.

— Na verdade, nunca conheci alguém que goste da companhia de seguros de saúde — afirmou a senadora.

Com 17,3%, Sanders está praticamente empatado com Warren, com quem disputa eleitorado e que, com 16,8% das intenções de voto, encontra-se em uma ascendente. Em algumas pesquisas, a senadora de Massachusetts já encontra-se em segundo.

Guerra do Iraque O vice, por sua vez, se tornou alvo de Sanders ao comentar que lamentava ter votado a favor da Guerra do Iraque. Ao que o senador respondeu:

— O grande erro, o maior erro e uma das maiores diferenças entre eu e você: eu nunca acreditei no que Bush e Cheney disseram sobre o Iraque.

PUBLICIDADE Por iniciativa própria, Biden falou sobre a Venezuela, e disse que os EUA deveriam “deixar as pessoas do país virem para cá”. A nação sul-americana foi citada também por Sanders, que foi questionado pelo jornalista Jorge Ramos sobre qual é a diferença entre o “socialismo democrático”, bandeira que defende, e o regime de Nicolás Maduro.

Ramos também perguntou se Sanders considerava Maduro um ditador. O candidato respondeu que o venezuelano é um “tirano repugnante” e que o país precisa de “cooperação internacional” para sair de sua crise. Afirmou, em seguida, que o suposto socialismo venezuelano “não tem nada em comum” com os seus planos.

Quero algo como o Canadá e a Escandinávia — afirmou, em referências aos países social-democratas.

Julián Castro, um dos mais agressivos da noite, não perdeu a deixa quando foi sua vez de falar sobre Maduro, afirmando que o considerava “um ditador”. Em outro momento, pareceu fazer uma referência à idade do ex-vice, de 76 anos, ao perguntar:

Você esqueceu o que falou dois minutos atrás?

O Brasil foi citado uma vez no debate, em uma pergunta sobre a preservação da Amazônia para Cory Booker, sétimo colocado (2,3%), que é vegano. Perguntado se recomendaria sua dieta para todos, como modo de conservar a floresta, o candidato limitou-se a dizer que não, em seguida passando a falar sobre o Iraque e sem citar o nome do Brasil.

PUBLICIDADE ‘Vamos tirar seu AR-15Dentre os candidatos menos cotados, a senadora da Califórnia Kamala Harris, que está em quinto com 6,5%, adotou uma estratégia de atacar Trump, tendo citado o nome do presidente mais vezes do que qualquer concorrente — quatro das  28 vezes. Dentre os candidatos, Biden foi o maior alvo, com oito citações negativas, sendo quatro delas disparadas por Sanders.

Dentre os mometos que viralizaram na internet, um dos maiores sucessos foi o do ex-congressista do Texas Beto O’Rourke, sobre desarmamento da população. Lembrando o massacre em El Paso, que deixou 20 mortos em agosto, afirmou:

Pode acreditar que nós vamos tirar seu AR-15 e seu AK-47 — disse, sem explicar como realizará seu plano, o oitavo colocado, com 2,8% das intenções de voto.

O próximo debate democrata está marcado para 15 de outubro, em Ohio, com regras de classificação iguais: ter ao menos 2% das intenções de votos e 130 mil doadores individuais, com no mínimo 400 em 20 estados. É possível que o número de participantes aumente até lá: os outros 10 candidatos que não se classificaram para Houston terão uma nova chance de atender aos critérios.