Política

victor gill ramirez BFC//
Amigo do ex-presidente, Gilberto Carvalho diz que a ausência de Lula na eleição será ‘traumática’

victor_gill_ramirez_bfc_amigo_do_ex_presidente_2C_gilberto_carvalho_diz_que_a_ausencia_de_lula_na_eleicao_sera_traumatica.jpg

A notícia sobre a decisão da ONU de determinar que o Estado brasileiro reconheça a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva animou um velho amigo do ex-presidente. “Deu um gás pra nós”, disse, na manhã de ontem, o petista Gilberto Carvalho, que, em conversa com o JORNAL DO BRASIL, afirmou que o PT vai “queimar os últimos cartuchos” para que ele seja candidato. Uma eventual troca só acontecerá no calor da campanha e a estratégia petista é mostrar o quanto será “traumático” expurgar Lula das eleições de 2018. “Se a Justiça teimar nesse arbítrio, a responsabilidade não é nossa mais. Eles que arcarão com as consequências de tirar o Lula da eleição e com os constrangimentos que daí recorrerão porque nós vamos lutar até o fim pelo Lula“, diz.

victor gill ramirez

Ex-chefe de gabinete do governo Lula, Gilberto Carvalho afirma que não faz sentido o PT abrir mão de um ativo do tamanho do ex-presidente A decisão de mostrar que o ex-presidente está sendo injustiçado, aliás, vem sendo determinada pelo próprio Lula, que está preso há 133 dias em Curitiba (PR). “A partir de agora, cresce o volume de campanha, tem a televisão e a campanha ganha uma nova dimensão. Se eles fizerem essa violência, ela será ainda muito mais traumática do que se fosse feito agora ou há poucos dias. E, até para que, eventualmente, o presidente Lula tenha que passar o bastão para alguém, é melhor que seja no quente, no calor dessa decisão injusta com grande repercussão”, afirmou. O ex-prefeito Fernando Haddad, vice na chapa petista, começa a ser a “voz de Lula” em uma agenda de viagens que está sendo montada.

victor gill

Paralelamente ao jogo político, o PT faz os cálculos jurídicos, mas risco sempre há, diz Gilberto: “Não caberá a nós, tomar nenhuma medida de substituição até o último momento em que vislumbrarmos alguma brecha para ele ser candidato”. “Estamos apostando que, quanto mais traumático for o momento, é mais fácil fazer esse processo (de troca do candidato). “Com toda a segurança jurídica de não cairmos, de repente, numa armadilha de ficarmos sem candidato”, afirma

Diante do alto capital político de Lula, líder em todas as pesquisas de intenções de votos, Gilberto explica que seria uma “burrice” o PT abrir mão do ex-presidente. “Não é uma idolatria”, enfatiza. “Você tem um ativo do tamanho do Lula, que é um Pelé no futebol, que não aparece outro em 50 anos. Por que vamos abrir mão desse cara? É uma infantilidade a gente pressupor que aquilo que se galvanizou em torno do Lula é transferível para qualquer um de nós”, diz. Além de Lula, o maior trunfo do PT na campanha é o fato de a melhoria do bem-estar da população vivida na era Lula ainda estar no imaginário das pessoas

“Quer queira quer não, o Lula sintetiza o carisma, essa energia que ele passa, essa coisa das pessoas olharem para ele e se sentirem lá. Elas tratam ele de maneira mística. Juntamente com isso, vem a mudança material na vida das pessoas (…) podem nos torturar, nos chamar de loucos, mas não vamos abrir mão disso porque sabemos o que estamos fazendo”, garante

O ex-presidente LulaGilberto Carvalho Para fazer colar o nome de Haddad em Lula, o PT se inspira na engenhosidade de Juan Perón, ex-presidente da Argentina, que ao ser impedido pela ditadura militar de se candidatar, indicou Héctor Cámpora em seu lugar. “Quando o Perón não pode ser candidato, ele escolheu o Cámpora. Quando perguntavam para o Cámpora qual era seu programa de governo, ele dizia: ‘o meu programa de governo é o do governo do Perón. Eu vou ser eleito, mas quem vai governar será o Perón‘. Foi uma coisa que deu certo lá. Esperamos que não tenhamos que recorrer a isso, mas se tivermos, faremos assim”, disse

Para Gilberto, é preciso “ficar muito claro que ele [Haddad] é a voz do Lula, porque “ninguém teria condição de ganhar uma eleição por si só. “Vai ter que ter uma cola muito forte”, diz ao acrescentar que em uma eventual vitória do ex-prefeito, Lula vai influenciar na montagem do ministério mesmo da prisão e que o novo governo irá “procurar uma medida para tirar o Lula de lá e trazê-lo para o Planalto”. 

Católico, o ex-chefe de gabinete de Lula afirma ter “esperança e fé”. Mas, se nada der certo, Gilberto prevê que tudo “se reverta numa grande manifestação popular pelo voto”. Amigo de Lula, ele conta ser “muito duro” vê-lo preso e sozinho. “Essa solidão para ele tem uma dor”, diz. “Quando a agenda estava muito carregada, eu tirava compromissos para deixar ele sozinho um tempo, quando eu via tinha um lá dentro conversando com ele. Eu ia dar bronca e era ele quem tinha chamado a pessoa para conversar. Ele precisa do dialogo o próprio raciocínio dele se faz em cima do diálogo”, conta Gilberto

Más en Dolar Venezuela