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Advogado de juiz diz que tiro foi em direção a celular

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RIO – Um dia após O GLOBO divulgar um vídeo que mostra o juiz Jorge Jansen Couñago Novelle atirando contra um vizinho, o advogado Antonio Pedro Melchior, que defende o magistrado, disse que o disparo foi feito em direção ao celular usado para fazer a filmagem e que o aparelho estava “estático, encostado em uma parede do lado de fora da janela interna do condomínio”. Em nota, Melchior afirmou que, por isso, não haveria risco de uma pessoa ser atingida.

Veja também Grupo está há dez dias acampado em Benfica para ter direito a terreno Sete corpos são achados em pedras no mar da Praia Vermelha, na Urca Suspeito fica ferido durante tiroteio no Tabajaras, na Zona Sul do Rio Juiz é retirado do cargo na Califórnia após dar sentença de seis meses a estuprador As imagens foram feitas no dia 1º de maio pelo osteopata Pedro Augusto Guerra, que, na época, era vizinho do juiz no edifício, na Avenida Atlântica, em Copacabana. O tiro atingiu a janela da área de serviço do apartamento de Guerra, junto a um ponto que serve para a circulação de ar nos fundos do prédio. Segundo a Polícia Civil, o magistrado vai responder por disparo de arma de fogo e resistência. Ele também irá enfrentar um procedimento administrativo no Tribunal de Justiça (TJ) e, se for condenado criminalmente, pode ser exonerado. Mas, segundo um juiz que conhece Novelle desde a época em que ele foi defensor público, entre 1990 e 1997, isso não deverá ocorrer.

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Ele até poderia perder o emprego em caso de condenação, mas isso não acontecerá. Alegará ausência de tipicidade, sem dolo. As pessoas sentem pena dele. O corregedor teve de colocar juízes auxiliares na vara, porque ele não vinha trabalhando — disse o magistrado, sob anonimato.

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Na nota, Antonio Melchior não esclarece o motivo da discussão entre o juiz e o osteopata. Segundo o texto, “Pedro Guerra não gravou o momento em que proferiu graves ameaças em face do magistrado e se dirigiu ao apartamento, durante a madrugada, batendo à porta em tom intimidador”. O advogado cita ainda um outro episódio envolvendo Guerra: ele teria se desentendido com um vizinho do mesmo condomínio e também com a síndica do edifício. Trata-se da advogada Letícia Jost Lins e Silva. Procurada pelo GLOBO em seu escritório, ela não deu retornou as ligações.

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Ainda de acordo com a nota, Novelle é “magistrado há 21 anos, foi defensor público por sete, sendo respeitado e reconhecido por suas decisões em favor dos direitos fundamentais das pessoas menos favorecidas”. Ele ganhou notoriedade recentemente ao determinar que o Facebook retirasse do ar informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco, divulgadas logo após seu assassinato. Por fim, a nota diz que “o contexto dos fatos está sendo examinado em procedimento sigiloso junto ao TJ, oportunidade em que serão esclarecidos todos os detalhes do acontecimento”. Guerra, de 54 anos, defende-se:

Nunca o ameacei, nem bati à sua porta. O edifício tem câmeras em cada corredor, ele precisa provar o que diz. Esse processo é tão estranho que até agora não prestei depoimento. O boletim de ocorrência foi mandado ao TJ sem que eu pudesse ser ouvido. Ele também não prestou depoimento até agora. Os policiais queriam prendê-lo no dia, mas não conseguiram

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A Polícia Civil informou que o processo foi encaminhado para o TJ em cumprimento ao artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que garante foro privilegiado ao juiz

BRIGA É ASSUNTO ENTRE MORADORES

O porteiro acaba de voltar do almoço e não quer assunto. “Não me meto em briga de morador, e, naquele dia, eu estava de folga”, esquiva-se o funcionário do edifício da Avenida Atlântica, em Copacabana, num ponto onde um apartamento é avaliado em R$ 5 milhões e o condomínio custa R$ 3 mil. Ele se recusa a falar sobre a briga que tem sido assunto há pouco mais de um mês no prédio de apenas dez unidades, todas de frente para o mar e com 400 metros quadrados

Aqui é um condomínio de pessoas finas. Ninguém quer comentar com gente de fora — disse um senhor de cabelos brancos que mora em uma das dez unidades. — Fiquei surpreso porque o doutor sempre me pareceu muito educado

Desde o episódio, o juiz Jorge Novelle, que vive com a mulher e uma filha, pouco sai de casa. Ele chegou a ser internado para tratamento de uma doença não informada. O juiz está afastado do trabalho por recomendação médica. Há registros de outras licenças dele no Diário de Justiça do Estado em 2009, 2012, 2014, 2015 e 2016

— O apartamento do quarto andar estava sendo sublocado. Parecia uma “cabeça de porco”, tinha gente entrando e saindo a toda hora, mas nada justifica isso — diz outra vizinha, que também pede anonimato

O osteopata Pedro Guerra não nega que chegou a sublocar o imóvel para turistas, mas admite que recebia muitas visitas:

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— A casa era minha, o que há de errado nisso?

Um homem que trabalha na rua conta que, quando os policiais chegaram para levar o juiz, Novelle desceu armado e sem camisa e “xingou os PMs de todos os nomes”

Ele chegou a ser algemado. Pegaram a arma dele, ele caiu no chão, mas continuou dando show. Os policias queriam prendê-lo, até que veio um carro do Tribunal de Justiça e o juiz voltou para o apartamento. Se fosse pobre como eu, estaria preso

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