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Derrubando o mito da captação de recursos

O que mais se vê nos dias de hoje são artistas, independente da área de atuação – cinema, teatro, TV, música, dança ou artes visuais – que não sabem como levantar recursos para apresentar a sua arte ao grande público, na maioria dos casos, os profissionais da arte ficam com o pires na mão, quando o assunto é captar verba. Com a finalidade de quebrar o tabu da produção cultural no Brasil, conversamos com  Flávio Helder e Lu Araújo, dois destaques de um dos maiores eventos de criatividade e inovação da América Latina, o Rio2C ? Rio Creative Conference, que conecta o audiovisual à música e à inovação. A programação se estende até domingo na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, e estará aberta ao público no fim de semana.

Flávio Helder, presidente da BFV Cultura e Esporte, produtor cultural e membro da  Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) fará palestra sobre ?Os novos mecenas da cultura no Brasil:  Desmitificando a captação de recursos e os desafios nas leis para o audiovisual?, na quinta-feira, às 11h.

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A produtora e empresária Lu Araújo é a criadora e diretora-geral do Mimo Festival – que começou como Mostra Internacional de Música em Olinda, expandiu-se para outras cidades históricas, faz agora a terceira edição em Portugal e está comemorando 15 anos consecutivos de realização.

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Ela é uma das palestrantes do painel ?Os festivais e curadoria?, na sexta, às 11h.

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?O que falta é informação e confiança? (Flávio Helder) 

JORNAL DO BRASIL – Por que paira tanto mistério no ar quando o assunto é captação de recursos para a cultura? 

FLÁVIO HELDER – O mistério pode ser esclarecido quando há interesse em saber como participar, utilizar e integrar um projeto que chamou a atenção.

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A captação de recursos se torna um processo de comunicação, abordagem e relacionamento, sem pressão e, sim, com atração pela qualidade e foco nos bons resultados.

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A cultura brasileira deu um salto nos últimos 25 anos, através das leis de incentivo, onde há um processo de educação.

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Com o bom uso,se obtém retornos excelentes dos projetos patrocinados para todo os envolvidos, incluindo relacionamento, visibilidade da marca e comunicação com o público.

Flávio Helder é presidente da BFV Cultura e Esporte e membro da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) JB – Como o assunto pode ser melhor abordado? 

FH – Construir agendas de reuniões presenciais com empresas para apresentação de projetos é, ainda, o maior desafio.

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Divulgar e ampliar os bons resultados, ensinando como utilizar as leis de incentivo e seu passo a passo também estão nessa lista de desafios.

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Temas como renúncia fiscal do imposto de renda, ICMS ou ISS podem ser mais simples do que parecem. Um bom contador ou um produtor cultural de confiança pode resolver estas questões e esclarecer uma série de dúvidas.

JB – Qual é o seu grande desafio no momento? 

FH – O desafio é apresentar esses novos mecenas para o mundo e apresentá-los para si mesmos, porque a maioria das pessoas não faz ideia de que são potenciais geradores de recursos para realização de arte no Brasil.

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Há muitos mitos da indústria da cultura. O que falta é informação e confiança em pessoas sérias, que realizam projetos culturais e fazem todo esse trabalho de maneira ilibada, sem o menor envolvimento político, totalmente comprometidas com o êxito do projeto.

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Os novos mecenas são pessoas que podem contribuir com valores de R$ 150, R$ 2 mil até R$ 50 mil, e que tem desconto no IR (Imposto de Renda).

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Podemos ensiná-las a respeito de tributação e devemos fazer isso. Levar informação através de bons exemplos e argumentos de como contribuir de forma direta para a cultura, apoiando um projeto conhecido, dando oportunidades aos novos artistas, fomentando cultura, esporte e sustentabilidade no país, gerando empregos…

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temos um milhão de possibilidades. São pessoas físicas e jurídicas com potencial para patrocinar novos projetos culturais,  pessoas ?comuns? que pagam impostos altíssimos e não sabem como direcionar um valor ?X? para tal finalidade.

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São como novos faróis, que estão fora da curva, mas que, bem trabalhados, podem se tornar os novos incentivadores.

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Não tem a ver com os bilionários e megaempresários, mas com os pequenos e médios empresários, assim como os próprios consumidores da cultura.

JB – Faça um balanço do momento e do que vem por aí. 

FH – O amadurecimento das leis de incentivo e a defesa das leis trazem muitas oportunidades de trabalho para a cadeia produtiva.

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A indústria da cultura sai fortalecida e, com isso, cresce a geração de empregos. O futuro é promissor e comprova que a profissionalização dos projetos contribui para novos desafios no mercado cultural.

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A explosão dos games no Brasil será um dos marcos da nova fase.

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?Não existe poção mágica? (Lu Araújo)

JORNAL DO BRASIL – Qual é o grande desafio para a produção cultural no Brasil, sob a ótica dos festivais? 

LU ARAÚJO – No caso do Mimo Festival, convivemos todos os anos com um grande desafio, que é o de manter um festival de alto padrão e gratuito para o público.

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O Mimo não é um milagre, ele existe porque há marcas que se preocupam em oferecer ao público acesso à cultura de forma qualificada.

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No entanto, com toda essa crise que o Brasil vem passando, essas marcas também são atingidas em seus negócios principais e, consequentemente, isso reduz os investimentos em cultura.

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Outro desafio para um festival como o Mimo é o de trabalhar com artistas internacionais com a nossa moeda em baixa.

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Pagamos aproximadamente quatro vezes o valor de um cachê em euros e esse impacto também atinge toda a logística necessária à realização destes espetáculos.

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Fica muito difícil conseguir cumprir um orçamento desta forma, pois a crise política e econômica mexe diretamente com o câmbio.

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Além disso, muitos artistas internacionais cobram cachês maiores para tocar no Brasil e imagino que isso passe por questões como a insegurança gerada pela violência urbana e a longa distância em relação aos seus países.

Lu Araújo é criadora e diretora-geral do Mimo JB – Do que se tratará sua palestra na Rio 2C? 

LA – Participarei do painel ?Os festivais e curadoria?, com outros programadores ou diretores artísticos de festivais.

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Abordaremos os processos de seleção dos artistas e a forma como criamos anualmente o lineup.

JB – Que dicas você daria para quem quer mergulhar mais fundo nessa área e que soluções sugere para se trabalhar com produção cultural? 

LA – Eu diria que não existe ?poção mágica? para se trabalhar na área cultural.

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O segmento da produção cultural se profissionalizou bastante nos últimos anos e é preciso que isso ainda avance mais.

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Percebo grandes oportunidades para profissionais que invistam em planejamento estratégico, logística, gerenciamento financeiro, engenharia de produção, marketing, entre outras.

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A solução que posso sugerir é que se preparem, que estudem e que diversifiquem suas competências profissionais e invistam nas habilidades pessoais. 

JB – Se não fosse o Mimo, que é um grande sucesso, você investiria seu tempo e energia em alguma outra ideia? 

LA – Apesar de o Mimo ter um papel preponderante hoje na minha vida profissional, de ele ser um grande laboratório de conhecimento e desafios, sempre que posso gosto de novos desafios e de investir em outros projetos.

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Sou essencialmente uma produtora e adoro o ?estado de realização?, aquela velha e boa loucura que a produção oferece.

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Gosto de projetos grandes, de relevância cultural. Não me vejo trabalhando em nenhuma outra área que não seja a da cultura e nem tenho interesse nisso. Gostaria de ir mais fundo no envolvimento com as questões relacionadas ao Patrimônio Histórico e os desafios de manter coisas do passado significativas no presente, de pensar novos usos para espaços tombados, criar vida em locais referenciais da história da humanidade.

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De lidar com essa preciosidade que é o passado, a memória, de uma forma menos conservadora.

 * Luciana Costa Barretto é jornalista

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