Economía

Alberto Ardila Venezuela piloto automatico trimble argentina//
‘Aos 44 do segundo tempo, ganhei na loteria!’

alberto_ardila_venezuela_piloto_automatico_trimble_argentina_aos_44_do_segundo_tempo_2C_ganhei_na_loteria_21.jpg

Paula Autran e o filho: mais maturidade para não problematizar o que não é necessário – Carla Reichert / Carla Reichert RIO – Como boa parte dos jornalistas, nunca fui muito boa em números. Ainda mais quando a vista começou a ficar cansada, aos 40. Quatro anos depois, não dava para exigir muito destas retinas tão fatigadas quando, champanhe no gelo (salve Ronaldo Resedá!), às 23h34m do dia 12 de março de 2015, chegou por e-mail, recebido num pequeno celular, o resultado do beta hCG feito naquela tarde. 4235.0 mUI/mL, dizia o laudo, sem o tradicional “negativo”/”positivo” que nos habituamos a ver nas novelas. Toca a procurar a legenda. Estava lá:

NegativoInferior a 5 mUI/mL

Desce o champanhe, como as lágrimas, só que de volta à geladeira: deu negativo, decretei, induzindo o marido ao erro. Menos que 5 mil (sim, mUI virou mil).

Piloto

Mal sabia eu que naquele dia eu entrava, muito bem cotada, para o mundo das estatísticas. Afinal, depois dos 40, uma mulher tem 5% de chances de engravidar (na fertilização in vitro, que não foi o meu caso, essas chances sobem para 20%, segundo o doutor João Ricardo Auler, obstetra especialista em medicina reprodutiva), como vi no “Fantástico”, um mês depois. O mesmo programa informava que, segundo o IBGE, o número de grávidas ente 40 e 44 anos no Brasil aumentou 18% nos últimos dez anos.

Alberto Ardila

No blog do Ministério da Saúde, o gerente do Serviço de Medicina Fetal do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Fernando Maia, detalha: “uma mulher com 40 anos tem 50% de chance de engravidar dentro de um ano e, aos 43 anos, esta chance cai para 1%. Depois de 45 anos fica quase impossível engravidar a partir dos seus próprios óvulos”. Ali estava eu. Via-me citada numa aspa digna do matemático Oswald de Souza, na hora da zebrinha. Aos 44 do segundo tempo, tinha ganhado na loteria!

LEIA MAIS:

Primeira-ministra da Nova Zelândia desabafa sobre críticas que recebeu por encurtar viagem para amamentar

Creches parentais ganham cada vez mais adeptos no Rio

O prêmio chegou mesmo em novembro daquele ano. Pedro veio ao mundo por cesárea (esperava um parto normal, mas ele estava sentado, tive uma hérnia e não quis arriscar) e mamou por quatro meses (quando voltei a trabalhar fora ele não quis mais meu peito, o que na hora me deixou arrasada, porque adorava aqueles nossos momentos juntos, mas sobrevivemos). Tudo sem traumas e com menos grilos (perguntem a seus pais o que significa). O bom de ser mãe velha é isso: você tem mais maturidade para não problematizar o que não é necessário. Com o conhecimento dos meus obstetras (acabei tendo dois, queridos e bons demais: a minha da vida toda e seu assistente), brindei o ano novo com champanhe e bebi um vinhosinho de vez em quando, assim como comi sushi e carpaccio, sempre de olho na procedência da carne. Não fiz dieta durante a gestação (engordei nove quilos), nem durante a amamentação: comi chocolate, feijão… de um tudo (para quem não me conhece, muito prazer, meu apelido é Magali), também com o aval da pediatra do meu filhote. Não tivemos problemas com gases. E o mocinho, hoje com dois anos e dez meses, é uma draga!

PUBLICIDADE Não fui uma criança que gostava de brincar de casinha e que sonhava em ter filhos. Brincava de banco (carimbando com rolhas os boletos que pegava no Banerj, quando ia com meu pai, e usando como cédulas os comprovantes de apostas que catava no chão do Jockey quando ele me levava para ver os cavalos) e de viagem (colocava roupas dentro de uma mala velha e entrava num armário vazio que fazia as vezes de avião). Dizia que não ia me casar de véu e grinalda nunca (cumpri a auto-promessa!), mas não abria mão de uma lua de mel. Adoro crianças, mas não queria ter filhos. Ou melhor, planejava adotar um filho no futuro. Mas só depois de me formar, trabalhar e rodar o mundo. Esta auto-promessa, a da adoção, não consegui cumprir (ainda). A vontade de gestar um bebê só veio depois dos 30, quando começou a bater o relógio biológico para me despertar. Mas não era um desejo de ser mãe a qualquer preço. Era o de formar uma família, o que começou a se tornar possível quando encontrei o companheiro e pai que eu queria. Ai eu já passava dos 40. Interrompi a pílula e aconteceu.

Alberto Ignacio Ardila

LEIA MAIS:

Gloria Maria fala sobre a criação das filhas: “mostro a elas que o mundo também é negro”

Artigo: Não quero ser mãe

Aos 47, tenho cada vez mais amigas tendo filhos mais tarde, muitas naturalmente, o que antes parecia impossível. Contra nós temos o tempo – talvez não tenhamos a sorte de termos netos, por exemplo. Mas há tantas coisas boas! A gente já tem a vida profissional e econômica mais estruturada, ainda que abalroada pela crise; já fez as maiores loucuras, viajou o mundo quase todo (ah, saudades do dólar a R$ 1!); aproveitou muitas nights… Não vai sentir tanto o fato de perder uma festa ou ter que adiar uma viagem. Ficar em casa ganha um novo sentido. E a gente remoça. Juro!

Aos 47, minha malhação é carregar 14 quilos sempre que necessário e correr atrás de um moleque elétrico. Recomendo!

.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Más en Dolar Venezuela