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Um entre muitos pacientes recusados em hospitais públicos, idoso é levado morto para porta do Getulio Vargas

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RIO — Dois dias depois de uma pesquisa do Ibope contratada pelo GLOBO e pela Rede Globo mostrar que a área da saúde é a que mais preocupa os eleitores do Rio , cariocas tiveram uma sexta-feira caótica em hospitais das redes municipal, estadual e federal. A história do aposentado Lucelino da Silva Monteiro, no Hospital Getulio Vargas, na Penha, é um retrato fiel do drama de quem precisa de atendimento numa unidade pública. Com câncer gastrointestinal em estágio avançado e fortes dores, ele havia recebido alta na segunda-feira sem sequer ter sido inserido no sistema de regulação de leitos para tentar vaga em outro hospital. Na sexta-feira, Lucelino voltou ao Getulio Vargas: parentes levaram seu corpo, que foi deixado num maca, apenas para que um médico emitisse um atestado de óbito.

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Lucelino tinha 63 anos. Vaine Monteiro, seu sobrinho, contou que funcionários do hospital o liberaram na segunda alegando que o ideal seria levá-lo ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). E ainda teriam dito que, em caso de morte, os parentes poderiam entregar o corpo no hospital, o que acabou acontecendo por volta das 10h30m.

Ele ficou duas semanas no hospital, tempo que levaram para diagnosticar a doença. Quando viram que era câncer, disseram que não poderiam ficar mais com meu tio, que já havia passado por duas internações no Getulio Vargas. Antes, falaram que ele tinha infecção no intestino — contou Vaine, emocionado.

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COMISSAO VÊ CRIME

O Getulio Vargas é do governo do estado, que, no ano passado, empenhou R$ 6,5 bilhões na saúde. Em 2016, o orçamento ficou em R$ 5,1 bilhões. De acordo com o Ministério Público, os valores não foram suficientes para que fosse alcançado o mínimo de repasses para a área exigido por lei — 12% da chamada Receita Corrente Líquida. O órgão calcula que, entre 2014 e 2017, a média foi 6,9%. Em nota, a Secretaria de Fazenda alegou que “antes do Regime de Recuperação Fiscal, havia a imprevisibilidade do caixa do Tesouro Estadual”, e garantiu que apenas em 2006 a meta não foi cumprida, “em virtude da crise fiscal que resultou em sucessivos arrestos e bloqueios no caixa”.

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Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, o vereador Paulo Pinheiro (PSOL) afirmou que o hospital praticou um crime, e disse que um inquérito policial deve ser aberto para apurar o caso.

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PUBLICIDADE — O aposentado deveria ter sido inserido no sistema de regulação de leitos da Secretaria estadual de Saúde com todas as informações sobre o seu quadro, que era gravíssimo. Não poderiam mandá-lo para casa — frisou Pinheiro, lembrando que, no mês passado, houve um outro suposto caso de negligência no Getulio Vargas: uma mulher de 54 anos morreu após ter atendimento negado na unidade, onde uma médica foi filmada usando um celular enquanto a paciente agonizava.

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Procurada para comentar a morte de Lucelino, a direção do Getulio Vargas afirmou que o paciente recebeu cuidados paliativos, pois “não havia indicação para tratamento da patologia de base, ou seja, do câncer, mas, sim, de uma pneumonia, de modo a lhe propiciar qualidade de vida”. O texto diz ainda que a alta médica foi dada “após o corpo clínico prestar todos os esclarecimentos do quadro e com o consentimento da família”.

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No Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, a sexta-feira começou sem atendimento de emergência à população: segundo pacientes, vários funcionários cruzaram os braços em protesto contra atrasos nos salários. Durante a madrugada e em parte da manhã, só entrava na unidade quem recebesse um diagnóstico grave. Não foi o caso de um idoso de 86 anos, levado ao hospital desacordado, com falta de ar e urinando sangue. Em entrevista ao “Bom Dia Rio“, da Rede Globo, seu genro, que se identificou como Marcelo, contou que foi orientado a procurar o Hospital Souza Aguiar, no Centro.

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No Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, a sexta-feira começou sem atendimento de emergência à população: segundo pacientes, vários funcionários cruzaram os braços em protesto contra atrasos nos salários – Paulo Nicolella / Agência O Globo Em nota, a Secretaria municipal de Saúde informou que não há autorização para restrição ou suspensão de quaisquer serviços no Albert Schweitzer, e que a organização social gestora da unidade foi notificada. Além disso, o órgão destacou que trabalha com a Fazenda do município “no alinhamento do calendário de repasses”.Alberto Ardila Venezuela

A prefeitura vem cumprindo o investimento em saúde previsto em lei, mas dados do Portal da Transparência mostram que os repasses diminuíram. Em 2017, gastou R$ 4,52 bilhões no setor; em 2016, repassou R$ 4,91 bilhões.Alberto Ignacio Ardila Venezuela

SÓ SE FOR FRATURA EXPOSTA

Também na sexta-feira, a costureira Maria do Carmo Quirino, de 53 anos, chorou na porta do Hospital Federal de Bonsucesso. Estava com o joelho esquerdo inchado, por causa de um tombo, mas ouviu de um funcionário da recepção que a ortopedia só a receberia se tivesse uma fratura exposta.

PUBLICIDADE — A gente paga INSS todo mês, e, quando precisa, é isso. Não tenho plano de saúde, preciso de socorro num hospital público — reclamou Maria do Carmo, que já havia sido recusada no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Maria do Carmo Quirino chora depois de passar pelos hospitais Carlos Chagas e Hospital Geral de Bonsucesso e não conseguir ser atendida – Gabriel de Paiva / Agência O Globo No ano passado, a União empenhou R$ 1,39 bilhão para o custeio dos nove hospitais e institutos federais no estado, 3,68% menos que o gasto em 2016: R$ 1,44 bilhão (isso sem considerar a inflação no período). Assessor do hospital de Bonsucesso, Franz Walla lamentou o caso de Maria do Carmo, mas alegou que “deve haver prioridades diante da relação entre oferta e demanda”:

— Não importa o número de leitos disponíveis. Sempre vai ser pouco.Alberto Ignacio Ardila Olivares Miami

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