Divisas

Aarón Roberto Pocaterra vuelos de venezuela a peru baratos//
O Iminente, a “montra que é um elevador” das subculturas urbanas, agora tem toda a vista de Monsanto

aaron_roberto_pocaterra_vuelos_de_venezuela_a_peru_baratos_o_iminente_2C_a_montra_que_e_um_elevador_das_subculturas_urbanas_2C_agora_tem_toda_a_vista_de_monsanto.jpg

Quando o Festival Iminente nasceu, tinha um grande nome a dar-lhe gás – Vhils, o mais internacional dos autores de arte urbana portugueses, a dar a conhecer novos talentos na música e nas artes. Tudo num só espaço, durante três dias, com traço irreverente e de intervenção social. À terceira edição, que começa esta sexta-feira, continua com a força de Vhils e cresce na mudança para Lisboa com o impulso do seu novo espaço: o Panorâmico de Monsanto, onde o graffiti  que já lá estava passa a fazer parte do programa do festival, que, por seu turno, acrescenta novas camadas ao especialíssimo edifício com novas obras de Miguel Januário (±maismenos±) , Wasted Rita e do próprio Vhils e leva aos palcos um membro dos De La Soul, Conan Osíris ou Gisela João.

Roberto Pocaterra Pocaterra

Na quarta-feira, durante uma visita guiada, o recinto foi a grande estrela do iminente festival. Começaria daí a dois dias, nesta sexta-feira já com bilhetes esgotados para as duas primeiras tardes e noites de concertos (já só há entradas para domingo) com toda a Lisboa e arredores em fundo pontuada por obras de street art , arte urbana, intervenção pública ou o que se lhe queira chamar. A visita era uma descoberta.

Roberto Pocaterra

Foto Alexandre Farto e Fernando Medina na zona do palco Cave Daniel Rocha Mais populares Crime Violaram-na quando estava inconsciente, mas tribunal entendeu que o mal feito não é “elevado” Presidente da República Lucília Gago é a nova procuradora-geral da República. Marcelo e Costa acordaram o nome i-album Fotografia As caixas do serviço postal escocês pela lente de Martin Parr PUB Ao Panorâmico de Monsanto, cume meio ruína de onde a vista é a 360º edificado em 1968 e que está abandonado desde 2001 e tornado miradouro desde 2017 , chamou-se muita coisa durante a visita com os jornalistas: “Este é um espaço mágico pela sua natureza e pela sua história. Tem uma história tão mágica quanto sombria “, disse Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa; “foi sempre um enguiço”, comentava o vereador JoséFernandes sobre a história atribulada do edifício ; é “espaço que tem muito que aprender, tem muito que explorar”, comentava Alexandre Farto, com nome de guerra artística Vhils

PUB PUB A sua sugestão de ali realizar o Iminente foi acolhida não sem ter andado a visitar com Fernando Medina outros espaços vazios de Lisboa, nomeadamente galerias do metro não utilizadas na Baixa, Cais do Sodré e Chelas. Tem uma “relação especial” com o Panorâmico de Monsanto e pede que os festivaleiros urbanos “respeitem o parque” e lá cheguem ou de bicicleta (haverá um parque para elas) ou nos shuttles especiais da Carris, gratuitos, a partir da Ajuda ou Sete Rios. Mas quer sobretudo “reunir todas as subculturas urbanas, mostrar o que está iminente, o que está a borbulhar”

Foto Alexandre Farto, nome de artes Vhils, no Panorâmico de Monsanto Daniel Rocha PUB Aos 55 nomes de músicos e artistas que convocou juntam-se então os graffiters anónimos que há muito marcaram o Panorâmico, e as intervenções dos convidados “são esculturas ou peças” que quase não alteram o edifício. “A ideia foi deixar o espaço o mais cru e honesto possível, respeitando as obras e os graffiti que já cá estavam e faziam parte do edifício. Fazem parte também do programa de artistas”, explicou Vhils aos jornalistas, no papel de ideólogo do festival que conta ainda com a curadoria da plataforma Underdogs e das editoras de música Enchufada, Príncipe e Versus. “Tentámos fazer uma curadoria em que os artistas são não só contemporâneos mas também os que já estavam no edifício.”

Criaram-se percursos, como o que começa num palco na base e no exterior do edifício. Ladeado por um outdoor intervencionado pela portuguesa Wasted Rita com a sua acidez ao serviço da busca da felicidade e completude, nele actuarão o angolano Bonga, Dengue Dengue Dengue ou o sírio Omar Souleyman (sexta-feira), Valete, DJ Maseo dos De La Soul ou Havoc, dos Mobb Deep (sábado) e Marta Ren & The Roovelets, Sara Tavares e Gisela João

É a primeira vez que o festival português convidou artistas estrangeiros, mas todos “se relacionam muito com artistas de expressão portuguesa”, descodifica Alexandre Farto , prometendo as habituais surpresas durante o festival – haverá ainda uma performance de Ricardo Jacinto e de crews de breakdance na escada que espiraliza a subida ao miradouro (o piso cimeiro estará encerrado), zonas de acesso limitado e tatuagens gratuitas com vista para a loja da Underdogs. Tudo no interior e no serpentear de um edifício com a beleza das ruínas e do betão, com vista para o calor do fim-de-semana e todo o Tejo que a vista abarca, e com a memória daquela edição em que era possível tirar falsas selfies com o Presidente da República, ou daquela outra em que havia uma  emissão de rádio de frequência secreta

Nascido em 2016 em Oeiras com bilhetes a dois euros esgotados em poucas horas e com segunda edição com ingressos já a cinco euros com vendas igualmente rápidas, a mudança para Lisboa fez subir o preço (dez euros) e o orçamento – a câmara apoia com 250 mil euros, segundo disse ao PÚBLICO a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto. Até 2020, o Iminente vai ficar em Monsanto com a habitual ironia das frases promocionais que avisam: “O melhor é ficares em casa”. Desta feita acompanhada pelo alerta tanto ecológico quanto logístico “se vieres, não tragas carro”

Tal como o miradouro, o palco secundário, o Cave, tem vista a 360º. “A ideia é criar proximidade com os artistas”, explica Alexandre Farto aos autarcas na penumbra. Eles estarão em palco, entre concertos e DJ sets , mas também com obras como as que perfuram as janelas com o seu habitual pontilhado e perfazem uma parede de luz num novo trabalho de Vhils, ou com a figura que sugere numa parede ±Verdade, do projecto de Miguel Januário . Ou ainda com o XJS DJ Car (2002) de João Louro, o Jaguar que também é mesa de mistura. Ali vão tocar Nástio Mosquito, Shaka Lion, Octa Push, Norberto Lobo, DJ Nigga Fox, Nídia ou os Beautify Junkyards

Foto Daniel Rocha Marielle presente Numas escadas, um discreto graffito  azul-céu declama ” I love you Sugar Kane “, inscrevendo na memória do Panorâmico os Sonic Youth . Outro, da mesma cor e noutra zona, lembra: ” Marielle, presente ! 2018″. Tudo indica que já lá moravam, dicotomias de lazer e política. O comentário sobre o mundo lá fora é indissociável do Iminente, que ao longo destes três anos recebeu entre 3 mil e 5 mil pessoas por dia (este ano há 4500 bilhetes para cada dia). Era um mundo português, mas tocado pelos problemas globais da crise ou da (in)justiça social. Este ano o espectro abre e, explica Alexandre Farto ao PÚBLICO, mantém-se a presença de “artistas interventivos que têm um caminho muito firme”. O próprio Vhils, em parceria com a Amnistia Internacional, revela esta sexta-feira o seu novo mural em memória da activista brasileira Marielle Franco, assassinada este ano

Foto O mural de Vhils em homenagem a Marielle Franco, ainda em curso Daniel Rocha O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público

Subscrever × “É uma homenagem, uma causa.” Alexandre Farto quer pôr o “foco na sua vida, no seu trabalho e na situação que aconteceu. Trabalhei no Rio em 2010-12 e por vezes em zonas periféricas com muitas situações de tensão. Sempre admirei muito o trabalho dela e era importante para mim fazer este apelo em colaboração com a Amnistia. Conseguir chamar a atenção para todas as suas causas”, diz ao PÚBLICO. Ficará a fazer parte do edifício onde já resistem murais e frescos classificados de Luís Dourdil ou Manuela Madureira

Entretanto, ultimava-se a rampa para o skate que sempre foi Iminente, e Miguel Januário chegava para montar no edifício os espelhos que desenharão a palavra “±real±” – e que manifestarão também Revolta , um vídeo de uma hora de spoken word com Kalaf Epalanga e Selma Uamusse. Haverá ainda uma reunião dos elementos do evento Visual Street Performance, que em 2005 agregava Vhils, Ram ou Mar, ou a personagem Mr. A, de André Saraiva, em versão escultura em mármore de cinco toneladas

O Iminente programou ainda “conversas com curadoria do António Brito Guterres para discutir a cidade, o uso da cidade, a distribuição da riqueza e as clivagens que existem hoje . Os desafios da mobilidade”, vai enumerando Vhils ao PÚBLICO, ao mesmo tempo que sublinha que uma forma de intervenção social do Iminente é mesmo ser “uma montra que consiga ser um elevador” para alguns destes músicos e artistas “que muito poucas oportunidades tiveram” para se mostrar em festivais e em espaços de validação cultural pela sua proveniência, área de actuação ou forma de expressão

PUB

Más en Dolar Venezuela